Saturday, February 28, 2009

"Uma definição não encontrada no dicionário:

'Não ir embora: ato de confiança e amor, comumente decifrado pelas crianças'."
(A Menina que Roubava Livros)


Ainda bem que eu sei que nada mudou. Ainda bem que eu já consigo separar o que eu quero da realidade.

E assim toco a vida prá frente
Fingindo não sofrer

como mutante: no fundo, sempre sozinha.

Thursday, February 19, 2009

Mutualismo.

As pessoas entram e saem das nossas vidas mais frequentemente do que o piscar sincero de olhos. Algumas realmente entram e realmente liberam um pedacinho por menor que seja dos seus respectivos e frágeis corações tão previamente despedaçados correndo o risco de quebra-los denovo... outras apenas coexistem com vc melhorando ou atrapalhando um pouco fatores que não estão intimamente ligados entre vocês. Uma cadeia carbônica com ramificações... uma cadeia aberta imensa forma o nosso "ciclo" de amizades e laços. Eu diria que seríamos o carbono central... Mas que obviamente precisamos de todos os outros carboninhos e suas respectivas ligações para ser quem somos hoje... Se somos quirais, melhor ainda. A uniformidade cria substâncias monótonas e estáveis.
Algumas pessoas que entram provocam uma mudança devastadora em você e por uns segundos, vc sente como se elas fossem mudar o ciclo da sua vida... Até que você descobre que o laço pode ser uma coisa unilateral. É sua primeira decepção. Daí pra frente, muitas da mesma natureza. Um tempo depois você descobre aquela coisa que você não entende o motivo, mas todos adultos sabem: "beijos não são contratos e presentes não são promessas".
Então vc percebe que está crescendo. Deixando se ser verde e sem gosto e ao mesmo tempo, por estar suculento demais, fica mais propenso a mordidas de passarinhos, ser alojamento de vermes e um ótimo lugar para insetos colocarem seus ovinhos. Maravilhosamente você perecebe que vai fornecer o alimento pras larvinhas! Depois de um tempo, elas ficaram lá... Usufruiram de você. Furaram sua casca brilhante e macia e você começou a apodrecer. E elas nunca nem cogitaram te dar nada em troca. Se você ainda defender: "ao menos, levou minha semente quando saiu voando." Não esqueça que ele não levou por que quis. Grudou. Ele não teve escolha.
De fato... Eles mudaram o ciclo da sua vida de alguma forma, mas pra eles, você não foi nada mais que uma passagem. Um bunker. Por mais fascinante que tudo tenha parecido pra vc, pra eles, não foi nada mais que uma etapa que de algum jeito, perto de você ou não, em algum lugar, tinha que se cumprir.
E assim, vamos esmaecendo. Apodrecendo aos poucos. Sendo carcomidos ou arrancados por um animal mais forte que nos devorará com uma mordida e nos transformará novamente em nada mais que matéria orgânica pra que renasçamos e possamos crescer de verdade e inocentemente perto de mais matéria orgânica nutrindo sementinhas e grandes árvores.

É o ciclo da vida. O ciclo sem fim. Sempre simbiótico.
Podemos até adiar, mas não evitar.

Saturday, February 07, 2009

Eu tenho pena de Nietzche

Afinal, tudo se inicia com um título enfático.

Eu definitivamente nao conheco muito de Nietzche, mas essas linhas são de sincera revolta com o tal fenomeno que aconteceu com ele e que acontecem com vários escritores de várias épocas. Principalmente depois que batem as botas.

Se nosso querido Fred vivesse nos dias de hoje e visse a quantidade de pessoas distorcendo suas falas como lhes convém... Se ele vivesse hoje, ele poderia negar. Ele poderia funcionar como um grosso estúpido que seria aclamado por pessoas como eu ao negar. Ele poderia dizer: não, quando eu digo que há homens que nascem póstumos, eu NÃO quero dizer que eles nascem sábios. Não que alguém tenha dito isso, mas cá pra nós, o ser humano tem uma mania incrível de tentar deduzir tudo o que passa pela sua vida e na frente de seus olhos, e tudo com base em sua experiência, esquecendo de ver o porquê do ângulo de quem o disse (como experenciei bem nas ultimas 3 semanas).

Um bom exemplo do que eu, toscamente estou tentando dizer, são as famosíssimas águas de março, quando veio um jornalista escrevendo um artigo complicadíssimo sobre Tom Jobim estar querendo fazer uma analogia ao fim e aos obstáculos da vida, e quando perguntaram a ele se era isso mesmo, Tom, com o seu delicioso jeito maroto de brasileiro (não-paulistano), disse algo parecido com: "Nãão, eu só estava no meu sítio, no finalzinho do verão, prestes a ir a embora quando se iniciou um temporal. Achei aquilo tudo bonito e quis escrever uma música." é o resto de toco, é a vida, é o sol... é a lama, é a lama.

E como falam de Chico Buarque. E como falam de Nietzche. Banalizam-se os nomes. Pra mim até alguns minutos atrás, Nietzche era um merda. Não sabia quem tinha sido... mas de acordo com as informações que tinha recebido sobre ele, provavelmente de fontes não maciças e não confiáveis, o enxergava apenas como uma tentativa de ser alguém. E o Chico? Bom, se não o conhecesse antes de saber que todo mundo que é cult conhece, curte e o aclama, pensaria a mesma coisa... indevidamente, coitado, afinal ele é um excelente compositor.

Todo mundo fala de Nietzche e como ele é foda... gostar de Nietzche é sinonimo de ser descolado e discutir filosofia, sociologia e música é sinônimo de ter ideais e de ser inteligente. Se você gosta de matemática e é programador, vc é nerd! Se você não discute moda, cabelo, maquiagem e aquele-gato-que-está-com-a-menina-da-novela , você não é pop o suficiente e não pode andar com outro grupo em questão. Por que TEMOS que andar em grupos que se parecem com a gente? Por que não pode ter um geekzinho promíscuo em meio aos pops? Por que não pode ter uma patricinha fútil divertidíssima em meio aos cools? Por que TUDO gira em torno de aparência e de rótulos, MERDA? Os que não gostam de mostrar o que são acabam ficando pra escanteio, e os que mostram mais do que são, ganham bônus e mais bônus e acabam por pegar o melhor prêmio na vitrine de recompensas do fliperama... sem nem saber jogar; viram símbolos de quaisquer coisas que quiserem. Simbolos quase nunca correspondentes a realidade.

Tadim do Chico... Tadim do Fred.