Monday, September 27, 2010

Vibes

Enquanto vibro em três,
em camadas
como 3D em papel
você vai andando na vertical, no eixo,
sem entortar nem os quadris
vivo em panorâma de astigmático
sempre fora de foco
você aí, alinhadinha

Na terra vê-se seu rastro preso num gráfico de movimento uniforme...
sem aceleração, sem newtons que não os seus.
certo mas incalculável
fluindo e puntiforme
unindo-se em ponto de fuga.
se eu tivesse um padrão, seria: random
só o vento me leva... o vento e essa tal bioquímico-física.
me dissipo, me moldo e me dissipo outra vez - ditto.

você, toda prática : de semáforos e passarelas, ruas e ruelas, caminhos e paradas que você já aprendeu pela experiência. ponto
eu. poesia e razão : paro quando consigo, continuo quando posso e por onde parece mais viável e razoável. independente de meios, fins e consequencias. reticências.

você, trem e trilhos,
talvez até rios retos, sem afluentes...
com uma correnteza que nem tentem te parar!

eu, espaço sideral...
sem força constante puramente minha...
milhares de dobras e dimensões desconhecidas...
onde tudo pode se criar e se destruir...
e me recriar e me redestruir.

você eros
eu khaos

ambas o principio e o fim.

Friday, September 24, 2010

Vênus Melenis

À une passante

La rue assourdissante autour de moi hurlait.
Longue, mince, en grand deuil, douleur majestueuse,
Une femme passa, d'une main fastueuse
Soulevant, balançant le feston et l'ourlet;

Agile et noble, avec sa jambe de statue.
Moi, je buvais, crispé comme un extravagant,
Dans son oeil, ciel livide où germe l'ouragan,
La douceur qui fascine et le plaisir qui tue.

Un éclair... puis la nuit! — Fugitive beauté
Dont le regard m'a fait soudainement renaître,
Ne te verrai-je plus que dans l'éternité?

Ailleurs, bien loin d'ici! trop tard! jamais peut-être!
Car j'ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,
Ô toi que j'eusse aimée, ô toi qui le savais!



À uma passante

A rua ensurdecedora urrava ao meu redor
Alta e esbelta, toda de luto, majestosa na dor,
Uma mulher passou, a mão vaidosa
Erguendo, balançando a bainha e o festão.

Ágil e nobre, com pernas de estátua.
Eu, crispado como um extravagante, bebia
No seu olho, lívido céu que gera o furacão,
A doçura que fascina e o prazer que mata.

Um clarão... e a noite depois! - Fugidia beleza,
De olhar que me fez renascer,
Será que só te verei de novo na eternidade?

Tão longe daqui! Tão tarde! Talvez nunca!
Pois ignoro para onde vais e não sabes para onde vou.
Ó tu que eu teria amado, ó tu que sabias disso.


(mon cher) (Baudalaire)

Wednesday, September 15, 2010

acordar

O acordar pode ser a coisa mais dolorosa do universo inteiro. nesse caso é exatamente o limiar entre o ter (do sonho) e o nao ter. É o chegar aos objetivos e acordar no vazio do nao, não aconteceu.

deu saudades irracionais.
de tudo.

isso cansa, energeticamente.