Monday, October 24, 2011

Essa noite não (coloquem a musica pra tocar enquanto leem)



Eu passaria horas e horas agora dissertando calma e furiosamente sobre os problemas do mundo, do imediatismo, da finitude, do stress, da pressa, da falta de amor e de respeito. Depressão e ansiedade como maus do século. Sobre a minha depressão que voltou - e parece só uma crise de meia idade nas vésperas dos 22 anos - e parece não passar... Sobre a falta de perspectiva, falta de acreditar e de ilusão - seja presença ou falta desta - . Um estado apático, eterno (no momento). O vício em novidade, em adrenalina. O vício em mudar. O vício em mostrar e em aparecer. O vício em ser não mais para você. Poderia passar horas e horas como todos no mundo fazem, como eu faço - falando em imbecilês sobre absolutamente nada que vá levar nem a mim nem ninguém a algum lugar se não na ponta do meu nariz -.

Mas sabe, mundo, essa noite não. Essa noite não vale a pena. Essa não é a melhor nem a pior noite do mundo. É só mais uma noite, mais um inferno. Mas um dia sem emoções fortes. Mas um dia sem uma gotícula de auto controle. Mais um dia de cair sob o peso das vontades e da falta de sentido da sua existência. Por que ela mereceria mais do que as outras a sua morte? Foi ela a gota d'agua? Sério? gota d'água de que?  Todos os seres humanos que não vivem em estado constante de alienação passam pela mesma coisa, sem tirar nem por uma em frequencia tao grande quanto a falta de perpectivas e emocoes fortes. Ninguem é melhor do que ninguem, ninguem é mais especial e o que voce passa/passou no seu ensino médio, na sua faculdade, na sua familia e em um emprego específico não ditam sua personalidade ou o que você é e/ou vai ser pro resto da vida. (E cá estou eu, novamente, olhando para a ponta do meu nariz).

O ponto todo é : não vamos viver ou deixar de viver absolutamente. As coisas não vão se endireitar ou fazer sentido de uma hora pra outra... Talvez nunca se endireitem, talvez nunca façam sentido. Talvez a vida seja pra sempre uma enorme piscina de merda mole. Se algum dia vier a fazer sentido, acredite que você provavelmente se alienou em algo delicioso, e eu bateria palmas de pé, fortíssimo. Talvez você mereça, sabe? Talvez todos nós mereçamos uma alienação dessas que faz a vida ficar linda. Seria legal se cada um se permitisse isso aí com mais frequência e constância.

A loucura é social... e ao mesmo tempo, estritamente individual : estão todos perturbados e cada um no seu eu malkaviano particular que não permite ninguém ou nada entrar... "Nossos corpos prendem e impedem nossa alma de voar". E se as almas e os corpos fossem uma coisa só? Um organismo harmônico e etéreo que não esteja de fato esperando a morte por mais dolorosa que a vida esteja, mas sim uma dessas bolhas deliciosas e super resistentes... e tudo o que cada um deveria fazer seria simplesmente abandonar sua insanidade pessoal e abraçasse a ideia da doideira humana, em que muitos compartilham os mesmos sintomas, e compartilhar e compartilhar e compartilhar (em vez de tratar).

Ninguem precisaria mais se matar, ninguem precisa mais ser suprimido por nada que nao ache digno e válido. Viveríamos felizes, cada grupo com sua visão própria de felicidade. Os sádicos bateriam e gostariam e os masoquistas apanhariam e,..... Os sociopatas se fariam companhia e não ligariam pro mal que cada um fizesse, os evangélicos adorariam em comunhão o seu deus e não incomodariam os ateus implicantes.

Eu nao sou mais tão jovem a ponto de acreditar que eu possa mudar o mundo, e nem acredito que o mundo possa ser transformado de fato. Não acredito nas pessoas e nem na possibilidade de bondade em cada uma delas. Mas vejo a "luz no fim do tunel". Vejo a salvação na alienação, no amor e no respeito - opa, quando isso se tornou uma pregação religiosa? - .

No final, não faz sentido levar nada a sério. Não sei se vocês tiveram a sutileza mental de perceber que esse é um texto irônico e mal escrito e que não vai sequer direcionar ninguém ou nada (até pq, "ninguém ou nada" não sabe muito bem pra onde está indo, portanto, não teria nenhuma divergência em apontar ou não uma direção qualquer).

O que eu vejo depois disso tudo : Minha arrogância em sempre achar que se fosse do meu jeito funcionaria. (se você agitou a cabeça para cima e para baixo após essa ultima frase, olhou pro seu próprio nariz, e pro seu umbigo, e também deu uma solução pro mundo, você está nesse grupo de pensadores presunçosos, mas não pense que isso é tão ruim assim, é só mais uma loucura singular que deveria ser compartilhada).

Saturday, October 15, 2011

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De repente, o mundo perdeu a graça, a magia. Isso é crescer? Isso é ser adulto? Ler, escrever, estudar, beber. Sexo. Nada mais tinha a força de antes... Só me restava a finitude e a nausea. Me restavam diversas ações monótonas e nauseabundas, que saberíamos novamente que tenderiam ao nada. Nao havia mais vontade de chorar, de sorrir. A unica vontade seria de ser trancada, amarrada e me fantasiando de tudo e de nada. O pôr e tirar ad infinitum. O que vale alguma coisa nesse mundo? O que está disponível nesse universo? Todo. Toldo - só pra proteger da chuva fraca -. Disponível e rumo de apreensão e repressão e repercussão que nao fazem diferenca ou nao tem distinção? As pessoas são distintas e insubistituíveis ou não são mais do que o que podem doar? O desejo de ser querida, tão antes cobiçado... existe?

Unanimo? Animo? Anima? Singularidade? Peculiaridade? Completude? Falta?

A impossibilidade da continuidade me dribla.

Certeza? Queria uma definição do que é, para quem sabe poder escrever sobre ela.
Alguem pode dissertar sobre a certeza? Como pisar em solos desconhecidos?

Como pisar? Tanto tempo focada em respirar, fundar, fundamentar, ornamentar e esqueci como se pisa.




A sorte é o movimento e a fluidez. Só que sem parar. O presente não dá tempo (suas ilusõezinhas burguesas).