Saturday, November 17, 2012

Resto

E se lhe sobrou carinho,
fique com ele.
Não vejo a gente
de mãos dadas em ribeirinhos
Puxando alegrias
Soltando tristezas.
Me sobraram rosas
Espinhentas e sedentas rosas.
Não disse que eram vermelhas nem cor-de-rosa.
Entenda como quiser.

Monday, November 12, 2012

Título da Postagem

Sempre parece que tenho algo importante pra dizer. Algo novo e revolucionário que solucionaria 3.555.918 vidas. Mas não é. Perco os termos, perco os tons, perco as pausas e a continuidade. Não tenho coerência, não tenho seguimento, coesão, conclusão. Não prossigo, só sigo. Aquela frase de efeito, aquele "Páre" intolerante não vai salvar ninguem, não vai ajudar ninguem, nem a si. O andar incessante, os dias e as noites se seguem. As mentes reproduzem fatos, contratos, gestos e palavras. Nada re-pensado mesmo em quem imagina imaginar. A imaginação como misto de faz-de-conta, que enxerga pontos onde poréns, ondem põem chumbo. Só os loucos são livres de pesares, ainda que presos em suas próprias estruturas formais. Com propriedade delas. (Olha eu, de novo, querendo chamar atenção à algo suposto novo. À algo supostamente estalante. Só que não é.) Quanto menos tento ser, mais sou, já dizia Derrida, e nele, devo me embasar para chegar às minhas próprias bases. Não sou louca, ou destoante, mas como queria ser, para sentir meu próprio doce não nominalizado. As coisas sem termos são muito mais. Heidegger desconsidera a arte que não como entonação de um ser do mundo. Para heidegger então, só vale esse inapropriado. Sem o não-próprio haveria o próprio? De que isso importa?? E assim, ilustro meu fluxo de pensamento pra quem nunca o tocou. Não digo que isso seja importante ou desimportante, mas "assim que é" (Charlie Brown Jr - Não Uso Sapatos). Não tento me apropriar do que não é meu, mas tento fazer meu próprio do qual cada vez mais me afasto se mantenho contato com o mundo. Esse do qual não tenho como me desligar. Essa é toda a minha conclusão, gostem ou não.

Por (Pra) isso via vida


"Não,
eu não te agradeço,

solenemente

pela força retrógrada
aplicada ás vicissitudes
pétreas de uma vida em desespero,

não te agradeço

nem pela tua carne

nem pela tua baba

esnobo-te

pelos momentos calmos,

que morri tórrido em suor,

nu sobre tuas juntas,

no vapor doce e seco da concretização
volátil e tardia de nosso amor,

e logo em seguida

ressutar-me,
a pingar fogo!

...

do teu ventre ao mundo

e

do mundo

a esses teus olhos...
essa porra que empresta vida,
brada recorrente
uma inocência recatada
de um amor possível
ao alcance
dum olhar...

não,
não quero agradecer-te,
nada do que fez a mim

se aprendi algo,
podre

(e você sabe,
muito além de mim,
você sabe que
podre,
roto
é a essência,
pária,
do que não se quer ver)

se aprendi algo concreto contigo
foi a pérfida desrazão de um obrigado,
sempre reto,
desnecessário...

foi no abandono
de meus queridos
e etéreos
ésses
vês
éles
que os suprimi
pelo rosnar
rouco
dos teus érres
brutos,
rústicos,
truculentos,
esses que absorvi de tua fala...

tenho que parar de agradecer assim,
a esses cheiros,
sons e cheiros,
que retumbam
duros na superfície
oca
do sentido...

a tua lapidação
refez o homem
que quis,
no homem que quer

por isso,
e unicamente por isso,
eu não te agradeço,
nem hoje,
nem se o luar virar sorriso,
nem sendo o último suspiro,

como quis,
como quer,
como agora sou...

assim, do jeito que moldas-te

(e por isso mesmo,
obrigado...)

... "


(Dum vício antigo)

Retirado de Liberterra