Saturday, October 05, 2013

Tem sumo de tangerina nos meus óculos.

Acordar e dormir ainda com a esperança de um por vir confortável, dado que para isso aqui não nasci, não.
Não sei pra que eu nasci,
a única razão hoje de levantar todos os dias é Vênus.
(mesmo com vontade de morrer)
Mas não sei se amor é pra moi:
As pessoas mais queridas me deixam de lado.
Não sei exatamente o que tenho de errado, mas sei que afasto
vidas,
sonhos,
planos.
etcetera.
Vivo coladinha com a filosofia do "como se"
Espero deixar a existência e "nadar por aí", deixando também o como se.
Ser livre é ser nômade.
Como se é prisão.
A maioria de nós também.

Wednesday, September 04, 2013

O som do silêncio

Decidi então que era sobre isso que precisava falar, pelo menos nesse primeiro texo. Talvez em mais. Sem comprometimentos com quaisquer formas ou fundamentações físicas e metafísicas, o som do silêncio e ao contrário.

Se percebe que tudo o que é feito é feito em forma de discurso. Quaisquer modos de ser fora de um modelo coerente e aceito pelo dasein (ser-aí, no caso, homem, possuidor da razão e produtor de sucessão e de linguagem verbalizada)  daquele tempo (de forma não teleológica) é tratado com uma intensidade chocante de estranhamento e proscrição. 
Pensei então no que tantos me disseram sobre a minha incapacidade de trocar experiências não discursivas, num sentido bem amplo, visto que cada ação, cada gesto,tornou-se com o tempo, subliminar. Pouquíssimas coisas na nossa realidade são porque são, fora de sentenças já formuladas e de tentativas de inclusão, e, as que o são, não costumam ser levadas em conta.
O desconforto foucaultiano, por sua vez, vejo como a tentativa mais legítima de tentar se produzir fora de discursos, dizendo não para alicerces conhecidos e usuais, tentando lidar com uma outra forma de ser, um não dasein, sem ser, sem escutar o ser do tempo, na medida do possível.
Entro agora, na questão principal, o silêncio. Com ele, quero me referir especificamente à não produção de discurso, a não tentativa de individualidade, a de apenas ser (na medida do possível), e nada ser (ignorem Heidegger, por favor). O ente pedrinha da frente da casa da Bia já é pedra e já é ele mesmo, sem esforços, ainda que tenha sido lá colocado por uma força muito maior que a dele. Ele não pôde resistir, e talvez, se pudesse não o faria. Ele está apenas sendo. Caso pudéssemos inferir a ele a palavra resistência, não seria mais. Estaria imerso em um discurso sobre o ser-do-tempo, e então, seria dasein, e portanto, não seria.
Todos os quesitos da vida passaram a ser definíveis. Retiram da vida, da linguagem, da sensibilidade, do prazer, da reprodução, e de toda a natureza o seu misticismo inerente, com ou sem separação homem-animal. O nosso mundo é ordenado seja por finalidade e causalidade, racional e irracional, pureza e impureza, sério e jocoso, silêncio e barulho (etc.). Na verdade, tudo é e não é (até que alguem consiga negar essa tese) um único todo sem uma separação estrita e inteligível alem da material, dada a nós. 
O ser das coisas é dessa forma intangível, inatingível. Não é o tempo, não é o espaço, não está na profundidade nem na superfície. Ele não se desfia quando um algo é posto fora da sua cotidianidade. Ele apenas é, não se desvela, não se revela, não se omite. Dele chegamos perto quando a nós é vinda a inspiração, a compreensão de sentidos. Ele não tem palavras. Ele não é terminologicamente.
Podemos tratar de nós como experiências de extra-terrestres ou como animais que desenvolveram uma lógica mais sofisticada, podemos no chamar qualquer coisa e não vamos chegar a respostas. Da mesma forma, não temos um conceito fixo e certeiro de vida, de animal, de razão. A razão humana, nesse sentido, pode ou não ser mera característica, como os pés dos patos, e só é levada tão a sério porque é o que distingue o homem dos outros animais... (Ah, o homem e essa sua mania de diferenciação). A ordenação do mundo que criamos num passado e criamos todos os dias, pode não ser mais que mania da razão unida ao nosso condicionamento cerebral aristotélico de separar as coisas em caixas, categóricas. E então entendê-las taxionomicamente por adjetivos, distinguindo as coisas, dando nomes, tornando tudo inteligível e apropriável em fala e escrita com o uso do Alphabeto. E aí temos o ornitorrinco, alheio às regras das categorias clássicas, entre outros.
O silêncio do barulho, percebemos todos os dias ao andar em cidades grandes, movimentadas em que a lei de decibéis é diariamente ultrapassadas por máquinas e vozes. O som do silêncio por sua vez, desprezado, pois quando ele deixa de ser pra dizer qualquer outra coisa, deixa de ser levado em conta.



Friday, June 07, 2013

Fatima

Vocês esperam uma intervenção divina
Mas não sabem que o tempo agora está contra vocês
Vocês se perdem no meio de tanto medo
De não conseguir dinheiro pra comprar sem se vender
E vocês armam seus esquemas ilusórios
Continuam só fingindo que o mundo ninguém fez
Mas acontece que tudo tem começo
E se começa, um dia acaba
Eu tenho pena de vocês

E as ameaças de ataque nuclear
Bombas de nêutrons não foi Deus quem fez
Alguém, alguém um dia vai se vingar
Vocês são vermes, pensam que são reis

Não quero ser que nem vocês
Eu não preciso mais
Eu já sei o que eu tenho que saber
E agora tanto faz

Três crianças sem dinheiro e sem moral
Não ouviram a voz suave que era uma lágrima
E se esqueceram de avisar pra todo mundo
Ela talvez tivesse um nome e era Fátima
E de repente o vinho virou água
E a ferida não cicatrizou
E o limpo se sujou e no terceiro dia
Ninguém ressucitou

(aborto eletrico)


Wednesday, May 08, 2013

A gente vai e volta na eterna busca por um eterno retorno do que somos. Identidade e socorro.

Quem me dera ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro que entreguei a quem
Conseguiu me convencer que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.

Quem me dera ao menos uma vez
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda.

Quem me dera ao menos uma vez
Explicar o que ninguém consegue entender
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.

Quem me dera ao menos uma vez
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
Fala demais por não ter nada a dizer.

 Quem me dera ao menos uma vez
Que o mais simples fosse visto
Como o mais importante
Mas nos deram espelhos e vimos um mundo doente.

Quem me dera ao menos uma vez
Entender como um só
Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês
Sua maldade, então, deixaram Deus tão triste.

 Eu quis o perigo e até sangrei sozinho
Entenda
Assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do iní­cio ao fim.
 E é só você que tem a cura pro meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Quem me dera ao menos uma vez
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.

Quem me dera ao menos uma vez
Como a mais bela tribo
Dos mais belos índios
Não ser atacado por ser inocente.

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho
Entenda
Assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim.
E é só você que tem a cura pro meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
Nos deram espelhos e vimos um mundo doente

Tentei chorar e não consegui.


Índios Legião Urbana 

Wednesday, April 03, 2013

amorfo

"A água do sistema bate tão forte na pedra, que ela perde a forma, ou simplesmente se enquadra. Ao se enquadrar porém, torna-se vulgar aos próprios olhos.
 Como se esquecesse o motivo de ser especial. "Mas era mesmo especial?" se pergunta a pedra, que por causa da erosão, já se encontra na forma de terra.
Mais que sucumbi a pressão, perdi a forma. Melhor dizendo, perdi a forma bruta ganhei forma sem graça, de loja de joias. Tornei-me mercadoria. No meio do caminho perdi meu remo e minha direção. Não percebi que entrei em alto mar."

 CarneSG