Friday, December 11, 2015

tudo cinza

No meu novo quarto azul, esta a vida que voce me deu.
Estou impregnada de voce.
Te amando a todo minuto.

Friday, December 04, 2015

Adiar

Por aqui ngm considera trespassing ou invasao de espaco. Nao ultrapasso assim, um milimetro do que vc propos, nao desrespeito sua imposicao de limite, nao surto, nao te bloqueio, ou nenhuma das minhas atitudes desesperadas pra dizer que te amo.

Vou me afastar. Quero nao me sentir diariamente um peso, um algo a ser evitado, um algo que tem dia, hora e lugar para que possa acontecer.

Percebi perfeitamente que eh a unica coisa viavel de ser feita pelo bem de ambos. 
Minha presenca te deixa constantemente tenso e minha ausencia te conforta e relaxa, mesmo por tempo indeterminado. Ao me afastar vc estabelece um bem estar geral. Ao nao te esperar mais, posso me ver livre de toda ansiedade constante, medo de rejeicao, costume de ser rejeitada quando preciso não ser. 

Se me afastar, vc nao me rejeita mais. Assim, paro de sentir todas as dores atreladas a minhas "indevidas" ou "inapropriadas" presenca, forma de pensar e sentir (por nao se adequarem a sua percepcao de realidade). Assim, nao preciso mais abaixar a cabeca para a forma mais logica de ver as coisas, nao preciso concordar com "como as coisas funcionam" (novamente, seu modo de ver tomado como absoluto do mundo) - o que ja largara e decidira voltar por vc. Posso assim me fixar na relativização do todo e do eu e ser apenas corpo.

Minhas barbatanas nao ficam rigidas de jeito nenhum, mesmo se escapo e dou meu jeito de tentar. Estamos cheios de stress e cheios de dedos. Vc diz diariamente que vc nao pode fazer nada por mim quando visivelmente nao quer. Pq é impossível fazer o que eu peco ou imploro se não estou sendo suficientemente boa pra vc. Nao percebo se o intuito real eh punicao, demarcacao de territorio, poder ou algo fora da minha possibilidade de entender.

Decidi me desprender dos pouquissimos meses q eu fazia-te estremecer, dos meses que nos trouxemos vitalidade, beleza e infinidade de bondade e alteridade. Alteridade e amor: ja posso quase dizer que ja me esqueci como eh sentir essas coisas numa unica frequencia, produzindo um unico som. Um algo que toma por inteiro e só é possível sentir a fluidez macia e quente do ar que nos ronda.

Decidi me afastar pq ha uns 6 meses, mesmo ao seu lado, nao ouco mais tilintar de nada, nao sinto  adocicado o tônus da realidade, e nao deixo de ouvir a dissonancia do dia a dia. Isso e: o lugar que voce me leva eh o mesmo que eu posso me levar estando sozinha.

Acho q eh reciproco.

TERÇA-FEIRA, 14 DE JULHO DE 2015

remexo no meu passado pelo tato, pelo homens. parece que estou com problemas de envelhecer ou simplesmente conquistei a segurança no amor tão desejada. e na verdade, é ainda melhor do que dizem. mas a verdade é que estou velha e remexendo nos papeis. remexi na minha memória sentimental e tirei de lá inúmeras histórias deliciosas e românticas. trouxe-as de volta. de alguma forma. como se reviver o passado pudesse trazer minha juventude de volta. e de certo modo traz mesmo.

estamos todos velhos. eu gorda, vc careca, mas já superamos isso. vamos conversar. o flerte aos 30 é mais interessante que aos 20. ops, mas tenho 25 ainda. e isso importa? daqui a pouco caso. alias, minhas amigas estão casando. faço uma segunda faculdade como uma idosa que redescobre a possibilidade de viver.pego menininhos de 18 como se eu tivesse 60 e me sinto com 18 de novo.


claro que é um exagero. mas não considero as suas noções de exagero. mas isso está com tom de menina minada e já sou uma jovem senhora, sem de fato ter me tornado um adulto. adoro isso. adoro minhas definições que não fazem questão de fazer sentido. me torno uma abominação cognitiva da maneira mais divertida possível
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Monday, November 30, 2015

Sobre confiar

E agora?

Estamos em um certo momento tecnologico onde "save" é em nuvem, em ondas, em eletromagnetismo, em frequências. Em que é tambem tudo extremamente subjetivamente objetivado. O "como se" não é só meu. É tudo como absoluto, sendo que nada sai do umbigo.

Não vamos mentir

Ok, sinto sua falta.
Não do que vc se tornou, não do que você é, mas do que era quando te conheci, tão perdido, com a auto estima do tamanho de um botão de rosa.
Você assim era um charme, cheio de emoções pulsantes e desesperadoras. Tanto se assemelhavam as minhas.
Quando vc começou a reclamar da minha "poesia ruim" você começou a se desprender. Se aproximar dos ideários de cidadão macho, cis. E eu, continuei presa à "poesia ruim".
Percebo que é questão de idade. Escrevo aqui por um simples motivo: espero que você possa ler.
Houve um momento que eu estava na idade correta. Que não esperavam que eu fosse mais do que eu estava sendo. E isso era feliz.
Crescemos e percebo diariamente que o que aconteceu com vc - e não tão bem comigo - foi a adequação. Você se adequou o ao que o mundo esperava de você.
E eu tenho grandiosos problemas de adequação. E não vejo como isso pode ser ruim.
Ao mesmo tempo que queria que simplesmente parassem de esperar de mim mais do que ações reais...
Não vou dizer que te amei como jamais ou outro alguem vá te amar.
Tenho certeza que ela te ama mais do que eu amei.
Mas tenho certeza que o seu lado que aproveitei, um lado que nenhuma outra pessoa conseguiu aproveitar, já morreu. Sou grata por tê-lo conhecido. Uma pena que morrera tão jovem. As vezes penso se não fora eu que o levei ao suicídio. Acho sinceramente que não.
Att

Sunday, May 03, 2015

Vitta, Ian, Cassales

Dobra uma esquina
Dobra outra esquina
Mais uma esquina
E ainda uma outra mais
E tu voltou pro mesmo lugar

Sem gasolina
Ainda há a buzina
Que te azucrina
Pressiona internamente
A tua cabeça que quer gritar
O olho pisca, querendo saltar
O lábio sobe, querendo rosnar
A veia salta, não vai aguentar

Vitta
Eu tô cansado do pra lá e pra cá
Eu quero brisa leve
Se a vida é faísca
Que brilhe devagar

Lucas
Se o engraçado às vezes faz doer
Eu quero rir com cãibra
Até abrir ferida
Eu tô por me perder

Tu te ilumina
Tomando um uísque com guaraná
Cadê a tua mina?
Tá com a comanda

Ah, fala demais
Fuma demais
Bebe demais

Ah, calcula demais
Planeja demais
E nada demais

Vou ao comício
Faço exercícios
Mas nem um indício
De como eu vou fazer pra ela perceber que se eu pedalo,
Ela é a corrente, e perceber que
Se eu calo é porque
Não sei mais

Se todo vício deixa resquícios
Com que artifícios é que eu vou conseguir fazer ela perceber
Que, se a medalha é minha, é dela
E perceber
Que se eu corro abertamente eu vou mais?

Ian
Tô junto nessa de querer cantar
Um verso com coragem
Que sirva de bandagem
Pro que se quer curar

Cairá um meio tom sem aviso
A conta é tua e o risco
É o próprio riso a cantar

Eu dobro a esquina
O calor no asfalto marola o ar
Procuro a sombra
Eu vou de boa

E o mundo vai ficando grave
Com todo estorvo, precipício
Muro em cima, todo entrave

Ah, grave
Com todo o estorvo, precipício
Muro em cima, todo entrave

Grave
Estorvo
Entrave

-Apanhador Soh 

Thursday, February 19, 2015

ZIT

uma palavra recém descoberta numa metáfora mais que perfeita pros meus ultimos anos:
me tornei uma daquelas pessoas que nao espreme a espinha quando dói muito. 
ao mesmo tempo que meu comportamento anti-social nunca me permitiu frequentar muitos consultórios, afinal não gosto de ser observada, analisada, tocada,...
as vezes, quando você não mexe e não deixa ninguém interferir, o processo natural pode não ser beneficiário do seu lado... e voilà: eis a ideia do furúnculo que quero trazer. um pequeno processo inflamatório descuidado e muito bem alocado. um locatário abusado que não paga aluguel e ainda rouba da sua comida...
quando trazemos uma pequena metáfora amórfica purulenta, ela pode crescer, como a querida espinha.

somos carne, temos mente. quando a carne é o que há de mais latente, qualquer modificação em seu interior ou em sua superfície pode trazer riscos ou melhorias na situação geral da coisa.

nesse caso em questão, uma pequeníssima, irrisória e um tantinho dolorosa hóspede, vai crescendo, tomando força e vigor, tomando as proporções de um pequeno filhote abaixo da sua derme. por que? porque voce deixou. deixou como deixou outras coisas antes,... pequenos conflitos, pequenas memórias, pequenas manchas carcinogênicas,.. está tudo alojado mantendo seu corpo pútrido e estéril para tudo o que poderia de forma alegre aumentar sua potência. 

isso não é um casulo... um casulo é lugar de metamorfose, de crescimento, de construção... isso é uma espinha. o corpo deixou de ser seu, tomado por todo aquele pus. o movimento tráz tanta dor que dá preguiça de tentar. a inércia é agradável. você se acostuma e depois se apega a ela.

o que paralisa não é o medo, é a vontade de não sentir dor: o conforto é uma camada grossa de concreto que secou no seu corpo. aí perde-se o espaço de produção e criação já que o material do concreto não é compativel com nossas estruturas.

a vida fere, e essas feridas são o que dão espaço pras infecções iniciais... mas a vida é morte e regeneração e calor e poros dilatados (nesse maravilhoso rio de janeiro). o que eu quero é literalmente não viver. mas isso não quer dizer morte. e pela 5a vez percebo isso.... quer dizer apenas se apegar ao grande prazer que é poder viver sem dor, para poucos. 

o que meu corpo ,agora, apenas sob a primeiríssima lei de newton, não consegue perceber é que o prazer proporcionado pelo movimento é mil vezes mais forte do que o prazer do não-desconforto. (afinal, nossa estrutura é tão mecânica quanto qualquer coisa e foi feita para mover-se com constancia). nosso sistema de recompensa busca o prazer pós movimento, pós-coito.

preciso me espremer até tirar todo esse pus. pra isso preciso me mexer. pra isso preciso tirar o pus. pra isso preciso me mexer.

como gerar o primeiro pico de força?