Thursday, February 19, 2015

ZIT

uma palavra recém descoberta numa metáfora mais que perfeita pros meus ultimos anos:
me tornei uma daquelas pessoas que nao espreme a espinha quando dói muito. 
ao mesmo tempo que meu comportamento anti-social nunca me permitiu frequentar muitos consultórios, afinal não gosto de ser observada, analisada, tocada,...
as vezes, quando você não mexe e não deixa ninguém interferir, o processo natural pode não ser beneficiário do seu lado... e voilà: eis a ideia do furúnculo que quero trazer. um pequeno processo inflamatório descuidado e muito bem alocado. um locatário abusado que não paga aluguel e ainda rouba da sua comida...
quando trazemos uma pequena metáfora amórfica purulenta, ela pode crescer, como a querida espinha.

somos carne, temos mente. quando a carne é o que há de mais latente, qualquer modificação em seu interior ou em sua superfície pode trazer riscos ou melhorias na situação geral da coisa.

nesse caso em questão, uma pequeníssima, irrisória e um tantinho dolorosa hóspede, vai crescendo, tomando força e vigor, tomando as proporções de um pequeno filhote abaixo da sua derme. por que? porque voce deixou. deixou como deixou outras coisas antes,... pequenos conflitos, pequenas memórias, pequenas manchas carcinogênicas,.. está tudo alojado mantendo seu corpo pútrido e estéril para tudo o que poderia de forma alegre aumentar sua potência. 

isso não é um casulo... um casulo é lugar de metamorfose, de crescimento, de construção... isso é uma espinha. o corpo deixou de ser seu, tomado por todo aquele pus. o movimento tráz tanta dor que dá preguiça de tentar. a inércia é agradável. você se acostuma e depois se apega a ela.

o que paralisa não é o medo, é a vontade de não sentir dor: o conforto é uma camada grossa de concreto que secou no seu corpo. aí perde-se o espaço de produção e criação já que o material do concreto não é compativel com nossas estruturas.

a vida fere, e essas feridas são o que dão espaço pras infecções iniciais... mas a vida é morte e regeneração e calor e poros dilatados (nesse maravilhoso rio de janeiro). o que eu quero é literalmente não viver. mas isso não quer dizer morte. e pela 5a vez percebo isso.... quer dizer apenas se apegar ao grande prazer que é poder viver sem dor, para poucos. 

o que meu corpo ,agora, apenas sob a primeiríssima lei de newton, não consegue perceber é que o prazer proporcionado pelo movimento é mil vezes mais forte do que o prazer do não-desconforto. (afinal, nossa estrutura é tão mecânica quanto qualquer coisa e foi feita para mover-se com constancia). nosso sistema de recompensa busca o prazer pós movimento, pós-coito.

preciso me espremer até tirar todo esse pus. pra isso preciso me mexer. pra isso preciso tirar o pus. pra isso preciso me mexer.

como gerar o primeiro pico de força?